Substituição Nucleofílica: SN1, SN2, Mecanismos e Exemplos

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O que é substituição nucleofílica?

A substituição nucleofílica é uma reação orgânica na qual um nucleófilo substitui um átomo ou grupo de átomos chamado grupo de saída em uma molécula.

De maneira geral:

R–X + Nu⁻ → R–Nu + X⁻

Onde:

  • R–X = substrato;
  • Nu⁻ = nucleófilo;
  • X = grupo de saída;
  • R–Nu = produto da substituição.

Um exemplo simples é:

CH₃Br + OH⁻ → CH₃OH + Br⁻

Nesse caso, o íon hidróxido (OH⁻) substitui o bromo (Br) no bromometano.


O que é um nucleófilo?

O termo nucleófilo significa, literalmente, uma espécie que possui afinidade por regiões positivas ou deficientes em elétrons.

Nucleófilos são espécies ricas em elétrons e geralmente possuem:

  • carga negativa; ou
  • pares de elétrons livres.

Alguns exemplos são:

Nucleófilo Característica
OH⁻ Íon hidróxido
CN⁻ Íon cianeto
NH₃ Amônia
H₂O Água
RO⁻ Íon alcóxido
I⁻ Íon iodeto
Br⁻ Íon brometo

O nucleófilo utiliza um par de elétrons para formar uma nova ligação com o carbono do substrato.


Onde ocorre o ataque nucleofílico?

Em muitos casos, o nucleófilo ataca um carbono que apresenta deficiência de elétrons.

Por exemplo:

CH₃–Br

A ligação C–Br é polarizada porque o bromo é mais eletronegativo que o carbono:

Cδ+–Brδ−

O carbono fica parcialmente positivo, tornando-se uma região favorável ao ataque do nucleófilo.

Assim:

OH⁻ → Cδ+

O nucleófilo fornece um par de elétrons para formar uma nova ligação com o carbono.


O que é um grupo de saída?

O grupo de saída é o átomo ou grupo que abandona o substrato durante a reação.

Na reação:

CH₃Br + OH⁻ → CH₃OH + Br⁻

O Br⁻ é o grupo de saída.

Um bom grupo de saída é aquele que consegue sair da molécula de maneira relativamente estável.

Entre os haletos, uma tendência comum de capacidade de saída é:

I⁻ > Br⁻ > Cl⁻ >> F⁻

Por isso, iodetos e brometos geralmente são bons grupos de saída em reações de substituição nucleofílica.


Principais mecanismos de substituição nucleofílica

Existem dois mecanismos principais:

  • SN1 — substituição nucleofílica unimolecular
  • SN2 — substituição nucleofílica bimolecular

Apesar de ambos produzirem uma substituição, seus mecanismos são diferentes.


Reação SN2

A reação SN2 ocorre em uma única etapa.

O nucleófilo ataca o carbono enquanto o grupo de saída deixa a molécula simultaneamente.

De forma geral:

Nu⁻ + R–X → R–Nu + X⁻

Não existe formação de um carbocátion intermediário.

Mecanismo SN2

Considere:

CH₃Br + OH⁻ → CH₃OH + Br⁻

O mecanismo ocorre assim:

OH⁻ → CH₃–Br

O OH⁻ ataca o carbono pelo lado oposto ao grupo Br.

Ao mesmo tempo:

C–Br → Br⁻

A ligação entre carbono e bromo é rompida enquanto a nova ligação C–OH é formada.

Tudo acontece em uma única etapa.


Ataque pelo lado oposto na SN2

Uma característica muito importante da reação SN2 é o ataque por trás, também chamado de ataque pelo lado oposto ou backside attack.

Isso acontece porque o nucleófilo precisa se aproximar do orbital adequado do carbono enquanto o grupo de saída está no lado oposto.

Em moléculas quirais, esse processo pode provocar inversão da configuração do carbono atacado.

Esse fenômeno é conhecido como inversão de Walden.


Cinética da reação SN2

A velocidade da reação SN2 depende de duas espécies:

v = k[R–X][Nu⁻]

Por isso, a reação é chamada de bimolecular.

Se a concentração do substrato ou do nucleófilo aumentar, a velocidade da reação também pode aumentar.


Substratos favorecidos pela SN2

A reação SN2 é favorecida quando o carbono que sofre o ataque apresenta pouco impedimento estérico.

Uma ordem comum de reatividade é:

metila > primário > secundário >> terciário

Por exemplo:

CH₃Br é muito favorável à SN2.

Já um haleto terciário apresenta grande impedimento estérico, dificultando o ataque do nucleófilo.

Portanto:

CH₃–X > 1° > 2° >> 3°


Reação SN1

A reação SN1 possui um mecanismo diferente.

Nesse caso, a reação ocorre em etapas e envolve a formação de um carbocátion como intermediário.

De maneira simplificada:

R–X → R⁺ + X⁻

Depois:

R⁺ + Nu → R–Nu

O mecanismo pode ser dividido em duas etapas principais.


Mecanismo SN1

Considere um haleto orgânico:

R–Br

Etapa 1: saída do grupo abandonador

A ligação C–Br é rompida e forma-se um carbocátion:

R–Br → R⁺ + Br⁻

Essa etapa é a etapa lenta e determinante da velocidade.

Etapa 2: ataque do nucleófilo

O nucleófilo ataca o carbocátion:

R⁺ + Nu → R–Nu

Se o nucleófilo for neutro, pode ocorrer ainda uma etapa de desprotonação para formar o produto final.


Formação do carbocátion

A formação do carbocátion é o ponto central do mecanismo SN1.

A estabilidade do carbocátion influencia fortemente a possibilidade de a reação ocorrer.

Em geral:

terciário > secundário >> primário > metila

Isso significa que carbocátions terciários são muito mais estáveis que carbocátions primários.

Por isso, substratos terciários são particularmente favoráveis ao mecanismo SN1.


Cinética da reação SN1

A velocidade da SN1 depende apenas da concentração do substrato:

v = k[R–X]

O nucleófilo não aparece na expressão da velocidade porque ele não participa da etapa lenta determinante.

Por isso, a reação é chamada de unimolecular.


SN1 vs. SN2

A principal diferença entre os dois mecanismos está na forma como a substituição ocorre.

Característica SN1 SN2
Número de etapas Duas ou mais Uma
Carbocátion Sim Não
Lei de velocidade v = k[R–X] v = k[R–X][Nu⁻]
Molecularidade Unimolecular Bimolecular
Ataque do nucleófilo Após a formação do carbocátion Simultâneo à saída
Substrato favorecido Terciário Metila e primário
Impedimento estérico Menos importante Muito importante
Inversão de configuração Pode ocorrer racemização Inversão de Walden

Solvente e substituição nucleofílica

O solvente também influencia o mecanismo.

Solventes próticos

Solventes como:

  • H₂O
  • CH₃OH
  • CH₃CH₂OH

podem formar ligações de hidrogênio e estabilizar íons.

Esses solventes frequentemente favorecem condições nas quais mecanismos SN1 podem ocorrer, especialmente quando ajudam a estabilizar o carbocátion e o grupo de saída.

Solventes apróticos polares

Exemplos:

  • DMSO
  • DMF
  • acetona
  • acetonitrila

Esses solventes podem aumentar a reatividade de determinados nucleófilos aniônicos e frequentemente favorecem reações SN2.


Nucleofilicidade e basicidade

Nucleofilicidade e basicidade são conceitos relacionados, mas não são iguais.

Basicidade

É a tendência de uma espécie aceitar um próton:

B⁻ + H⁺ → BH

Nucleofilicidade

É a tendência de uma espécie atacar um centro eletrofílico para formar uma nova ligação.

Nu⁻ + R–X → R–Nu + X⁻

Uma espécie pode ser uma base forte sem ser necessariamente o melhor nucleófilo para uma determinada reação.


Exemplos de substituição nucleofílica

Exemplo 1: Bromometano e hidróxido

CH₃Br + OH⁻ → CH₃OH + Br⁻

O OH⁻ substitui o Br.

Como o substrato é um haleto de metila, a reação é favorecida pelo mecanismo SN2.


Exemplo 2: Cloroetano e hidróxido

CH₃CH₂Cl + OH⁻ → CH₃CH₂OH + Cl⁻

O OH⁻ substitui o Cl, formando etanol.

Por ser um substrato primário, o mecanismo SN2 é favorecido.


Exemplo 3: Haleto terciário

Um haleto terciário pode sofrer SN1 devido à possibilidade de formação de um carbocátion terciário relativamente estável.

De forma geral:

R₃C–X → R₃C⁺ + X⁻

Depois:

R₃C⁺ + Nu → R₃C–Nu


O que determina se a reação será SN1 ou SN2?

Para prever o mecanismo, é importante analisar vários fatores.

1. Estrutura do substrato

Metila e primário → SN2 favorecida

Terciário → SN1 favorecida

Substratos secundários podem apresentar maior competição entre mecanismos, dependendo das condições.

2. Nucleófilo

Nucleófilos fortes favorecem especialmente SN2.

Exemplos:

OH⁻, CN⁻, RO⁻, I⁻

3. Solvente

Solventes próticos tendem a favorecer SN1 em muitas situações.

Solventes polares apróticos geralmente favorecem SN2.

4. Grupo de saída

Um bom grupo de saída facilita a substituição.

Em muitos casos:

I⁻ > Br⁻ > Cl⁻ >> F⁻

5. Impedimento estérico

Quanto mais congestionado estiver o carbono atacado, mais difícil será o ataque SN2.


Substituição nucleofílica em haletos orgânicos

Os haletos orgânicos são alguns dos substratos mais importantes para estudar substituição nucleofílica.

Eles apresentam a estrutura:

R–X

onde X pode ser:

F, Cl, Br ou I

Um nucleófilo pode substituir o halogênio:

R–X + Nu⁻ → R–Nu + X⁻

Por exemplo:

CH₃CH₂Br + CN⁻ → CH₃CH₂CN + Br⁻

O grupo CN substitui o Br.


Substituição nucleofílica em álcoois

O grupo –OH de um álcool não é, por si só, um grupo de saída particularmente bom.

Por isso, em determinadas reações, o álcool pode ser previamente protonado, transformando:

–OH → –OH₂⁺

A água é então uma espécie muito melhor como grupo de saída.

Por exemplo, em meio ácido:

R–OH + H⁺ → R–OH₂⁺

Depois:

R–OH₂⁺ → R⁺ + H₂O

Dependendo da estrutura do álcool e das condições, a reação pode prosseguir por mecanismos associados a SN1 ou SN2.

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Reações de Substituição: O que são, Tipos e Exemplos


Diferença entre substituição nucleofílica e eliminação

Substituição e eliminação frequentemente competem entre si.

Na substituição:

R–X + Nu⁻ → R–Nu + X⁻

O nucleófilo substitui o grupo de saída.

Na eliminação:

R–CH₂–CH₂–X → R–CH=CH₂ + HX

Um hidrogênio e o grupo de saída são removidos, formando uma ligação dupla.

De forma simples:

Substituição → troca

Eliminação → formação de ligação dupla


Como identificar uma substituição nucleofílica?

Para identificar esse tipo de reação, procure três elementos:

  1. Um substrato eletrofílico, frequentemente um haleto orgânico;
  2. Um nucleófilo, rico em elétrons;
  3. Um grupo de saída que será substituído.

Por exemplo:

CH₃CH₂Br + OH⁻ → CH₃CH₂OH + Br⁻

Temos:

  • Substrato: CH₃CH₂Br
  • Nucleófilo: OH⁻
  • Grupo de saída: Br⁻
  • Produto: CH₃CH₂OH

Portanto, é uma reação de substituição nucleofílica.


Resumo: substituição nucleofílica

A substituição nucleofílica ocorre quando um nucleófilo substitui um grupo de saída em uma molécula orgânica.

Existem dois mecanismos principais:

SN1

R–X → R⁺ + X⁻

R⁺ + Nu → R–Nu

  • Ocorre em etapas;
  • Forma um carbocátion;
  • É favorecida por substratos terciários;
  • A velocidade depende do substrato.

SN2

Nu⁻ + R–X → R–Nu + X⁻

  • Ocorre em uma única etapa;
  • Não forma carbocátion;
  • É favorecida por substratos de metila e primários;
  • A velocidade depende do substrato e do nucleófilo;
  • Ocorre ataque pelo lado oposto ao grupo de saída.

A ideia principal é:

Nucleófilo entra → grupo de saída sai.


Exercícios sobre substituição nucleofílica

1. Identifique o nucleófilo:

CH₃Br + OH⁻ → CH₃OH + Br⁻

Resposta: OH⁻.


2. Identifique o grupo de saída:

CH₃CH₂Cl + CN⁻ → CH₃CH₂CN + Cl⁻

Resposta: Cl⁻.


3. Qual mecanismo é favorecido por um haleto de metila?

A) SN1
B) SN2
C) Apenas eliminação
D) Nenhum

Resposta: B) SN2

O substrato apresenta pouco impedimento estérico e favorece o ataque direto do nucleófilo.


4. Qual mecanismo envolve a formação de um carbocátion?

Resposta: SN1.


5. Qual mecanismo ocorre em uma única etapa?

Resposta: SN2.


6. Complete a reação:

CH₃CH₂Br + OH⁻ → ? + ?

Resposta:

CH₃CH₂Br + OH⁻ → CH₃CH₂OH + Br⁻

O OH⁻ substitui o Br e forma etanol.


Conclusão

A substituição nucleofílica é uma das reações mais importantes da Química Orgânica. Ela ocorre quando uma espécie rica em elétrons, o nucleófilo, substitui um grupo de saída presente no substrato.

Os dois mecanismos fundamentais são SN1 e SN2. Na SN1, ocorre a formação de um carbocátion, enquanto na SN2 o nucleófilo ataca diretamente o carbono e o grupo de saída deixa a molécula simultaneamente.

Para diferenciar os dois mecanismos, observe principalmente o substrato, o nucleófilo, o solvente, o grupo de saída e o impedimento estérico.